Quando Roma ardeu

64 d.C., a capital do Império estava em seu auge de glória, comandando boa parte dos territórios. Jerusalém ainda gemia sob o peso da espada impiedosa dos imperadores. Em 63 a.C., Pompeu (63-48 AC) invade e toma a cidade santa. Inicia-se assim a dominação romana, a qual termina nos inícios do 2º século da era cristã. Se para quem hoje vai a cidade de Rômulo e Remo não encontra algo limpo e organizado, que dirá em tempos onde sequer havia saneamento básico e higiene. 

Reinava Nero. Sua regência o assinalou como figura sádica e paradoxal. Assumindo o Império aos 16 anos, seus atos iniciais pareciam não coadunar com a imagem virulenta que posteriormente viria tornar-se. Dentre aspectos positivos, focou-se na diplomacia e no comércio, projetando um aumento do capital cultural do império. Ordenou a construção de diversos teatros e promoveu o atletismo. Opôs-se ao Império Parta, promovendo a diplomacia, melhorou as relações com a Grécia. 

Por outro lado, é associado habitualmente à tirania e à extravagância, extrapolando os limites da sensatez. A ele foi atribuída a frase: “gostaria que a humanidade tivesse uma única cabeça, para golpeá-la uma só vez“. Tão visceral lhe era a demência que não poupou da morte mesmo a sua mãe e o seu meio-irmão, Britânico. Sua truculência poderia comparar-se a de outros nomes desses regimes ditatoriais que forçosamente tentam incutir uma ideia ultrapassada. Quando os argumentos não são bons para sustentar a ideia, recorrer à força torna-se o único meio do falso conceito de respeito.

Na noite de 18 de julho, com a tentativa de promover o sonho de uma nova Roma, livre dos bairros periféricos e fétidos, Nero decidiu enviar sua tropa às ocultas para atear fogo nessas zonas da cidade, 10 das 14. Por seis dias Roma ardeu em chamas. Segundo relato dos historiadores antigos, o imperador permanecia sentado em seu trono, assistindo ao funesto espetáculo musicado pela lira que tocava. Vendo sua trama logo descoberta, tratou de culpar aos cristãos (para ele, uma seita iniciante); estes, perseguidos desde 64 d.C. até o Édito de Milão, por Constantino, em 313. 

O espírito insano de Nero não se aposse de nós, correndo risco de permanecermos sentados enquanto o outro arde em necessidade.

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